No artigo específico sobre novos membros eu escrevi sobre a importância da preparação. Mas àquela preparação é diferente da preparação individual para assumir um lugar na empresa ou no grupo familiar.
Mesmo participando do grupo de controle familiar e da empresa ou apenas de um sempre existirá uma pessoa, um indivíduo. E essa pessoa necessita de desenvolvimento e preparo para lidar com as questões que o transcorrer da vida proporá. Esse indivíduo, único e solitário necessita da sua própria experiência de vida independente de família ou negócios.
Negar-se a vivenciar seus interesses gera um peso desnecessário para si mesmo e, comumente, para todo o grupo de pessoas que circundam de forma afetiva ou profissional aquele que não se permite experimentar as coisas do mundo. Aqui cabe uma ressalva: existe um limite para a própria experimentação da potencialidade da vida que é a coexistência pacifica e harmoniosa no ambiente maior ao qual pertencemos, ou seja, experimente tudo que quiser dentro dos limites aceitos no grupo se precisar de mais espaço avise ao grupo que precisa disso e vá viver sua própria vida na liberdade que deseja!
Estando integrado na empresa a continuidade da sua evolução profissional depende de si mesmo e da necessidade do negócio. A sequência do desenvolvimento profissional deve ser debatida no grupo de controle familiar para indicar como será possível adequar isso de forma efetiva. Reafirmo que a integração na empresa vincula parte de seu projeto ao que o empreendimento necessita e não apenas a sua própria ambição. Isso é fazer parte de um grupo no sentido direto da expressão: o melhor para o grupo em primeiro lugar!
Essa postagem tem a ambição única de mexer com a zona de conforto de qualquer leitor. Essa é a essência de viver em grupo!
TEORIA DA OBVIEDADE - 2 principais observações: (a) Em qualquer problema ou situação tudo muda exceto a resposta ou resultado; (b) Ninguém enxerga o que está além de uma escolha que não compreende. - Conselho: Seja óbvio, por vontade própria, em 50% do seu tempo que os outros 50% serão bem mais fáceis.
Temas
SÉRIES TEMÁTICAS
(38)
PONTO DE INFLEXÃO
(29)
ACOMPANHAMENTO PROFISSIONAL
(26)
SCRYBERE
(26)
SER O CLIENTE
(14)
MENTORING
(13)
CRISE-2020
(6)
MEUS SERVIÇOS
(6)
CONVERSA DE BALCÃO
(5)
SOBREVIVÊNCIA
(5)
INTELIGÊNCIA NOS NEGÓCIOS
(4)
POLÍTICAS PÚBLICAS
(1)
quinta-feira, 19 de julho de 2018
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Empresa familiar: apoio externo
Em alguns pontos desta série de artigos escrevi sobre a necessidade de um conselheiro. Esse conselheiro que pontuo como necessário pode ser um personagem externo ao dia a dia, mas com certeza ele não é membro da família ou com ligações com algum membro da família. É uma, ou até mais de uma, pessoa que será independente no tratamento das questões que serão debatidas e definidas no grupo de controle familiar.
Outras adições são necessárias e é comum que essas posições sejam duplamente ligadas ao empreendimento. Muitas vezes o contador e o advogado funcionam como pontos de referência na tomada de decisão, seja pelo conhecimento das necessidades e situações próprias da empresa ou ainda pelo simples fato de serem profissionais com atuação também no ambiente externo ao empreendimento. Mas também outros tipos de profissionais podem ser participes importantes no processo, isso é definido pontualmente por necessidade ou estrategicamente dependendo de cada evento.
Oxigenação do debate e algum freio nos ânimos é o que normalmente o apoio externo proporciona. E isso é de extrema relevância na condução das boas práticas de governança, que apesar do nome mais pomposo, nada mais é do que o compromisso de sempre fazer tudo com transparência e visando o fortalecimento do empreendimento no longo prazo.
Outras adições são necessárias e é comum que essas posições sejam duplamente ligadas ao empreendimento. Muitas vezes o contador e o advogado funcionam como pontos de referência na tomada de decisão, seja pelo conhecimento das necessidades e situações próprias da empresa ou ainda pelo simples fato de serem profissionais com atuação também no ambiente externo ao empreendimento. Mas também outros tipos de profissionais podem ser participes importantes no processo, isso é definido pontualmente por necessidade ou estrategicamente dependendo de cada evento.
Oxigenação do debate e algum freio nos ânimos é o que normalmente o apoio externo proporciona. E isso é de extrema relevância na condução das boas práticas de governança, que apesar do nome mais pomposo, nada mais é do que o compromisso de sempre fazer tudo com transparência e visando o fortalecimento do empreendimento no longo prazo.
Empresa familiar: os limites do poder
É necessário estabelecer limites de poder para separar os negócios da família das questões de família. E quando aponto a necessidade de separar é porque, naturalmente, tudo que envolve uma família tende a ser tratado de forma misturada quer sejam negócios, eventos, compromissos ou problemas de qualquer espécie.
Para isto é preciso definir que o poder exercido pelo grupo de controle deve ser sobre as necessidades do negócio e não sobre as pessoas da família. Isso precisa ficar bem claro, pois o empreendimento, a empresa, o negócio é uma situação distinta, mesmo que muito importante, dentro dos vínculos familiares.
O limite do poder talvez seja o ponto mais sensível para o bom funcionamento de todo o conjunto familiar. É comum as famílias estruturarem o poder no membro mais antigo ou no mais ativo dentro da família. Se é assim tudo bem. Mas nada de misturar esse poder específico com o poder no grupo de controle do negócio familiar. A máxima de que “amigos, amigos, negócios a parte” deve ser assimilado para “família é família, negócios a parte”! Deixo isso claro com a seguinte observação: se algum membro da família precisa de apoio é a família quem providencia o suporte necessário e não a empresa.
Limites são a sustentação de qualquer relação, seja ela por afinidade, comercial ou fraternal. Crie, modifique, reduza ou amplie, mas estabeleça as fronteiras nas relações que conduzem os negócios familiares.
Para isto é preciso definir que o poder exercido pelo grupo de controle deve ser sobre as necessidades do negócio e não sobre as pessoas da família. Isso precisa ficar bem claro, pois o empreendimento, a empresa, o negócio é uma situação distinta, mesmo que muito importante, dentro dos vínculos familiares.
O limite do poder talvez seja o ponto mais sensível para o bom funcionamento de todo o conjunto familiar. É comum as famílias estruturarem o poder no membro mais antigo ou no mais ativo dentro da família. Se é assim tudo bem. Mas nada de misturar esse poder específico com o poder no grupo de controle do negócio familiar. A máxima de que “amigos, amigos, negócios a parte” deve ser assimilado para “família é família, negócios a parte”! Deixo isso claro com a seguinte observação: se algum membro da família precisa de apoio é a família quem providencia o suporte necessário e não a empresa.
Limites são a sustentação de qualquer relação, seja ela por afinidade, comercial ou fraternal. Crie, modifique, reduza ou amplie, mas estabeleça as fronteiras nas relações que conduzem os negócios familiares.
terça-feira, 17 de julho de 2018
Empresa familiar: preparar os novos membros
Já escrevi que nem todos tem lugar na empresa, mas com certeza alguns tem. E esses necessitam preparação. Muita preparação. Não só no caso de sucessão que pelos próprios motivos já pressupõe isso. Todos os membros do grupo familiar que se habilitarem para funções dentro do negócio devem ser preparados.
O ponto de encerramento é entender o que é a empresa:
O ponto de encerramento é entender o que é a empresa:
- como funciona o mercado em que está inserida; quais os riscos;
- como está posicionada neste mercado em termos de vendas e faturamento;
- quais são os principais concorrentes;
- quais são as parcerias;
- quem são os consumidores;
- se existe sazonalidade e qual o pico de vendas;
- como funciona a equipe de trabalho.
Isto é o básico do básico para não criar problemas com as novas ideias que serão oportunizadas pelo arejamento que ocorre sempre que um novo membro adentra na companhia. Além do mais isso deve ser feito com qualquer novo membro da equipe, mas especialmente com os familiares.
Acima descrevi o ponto de encerramento, agora vamos ao ponto médio:
Acima descrevi o ponto de encerramento, agora vamos ao ponto médio:
- qual a aptidão inicial que o postulante a uma posição nos negócios demonstra;
- é operacional, administrativo ou comercial;
- é teórico ou tem pratica;
- tem formação concluída;
- essa formação está na linha da sua aptidão;
- ele tem outros compromissos assumidos?
- Ele está apto a assumir as responsabilidades.
E, por fim, o ponto inicial:
- a empresa precisa nesse momento de um novo membro da família no dia a dia;
- a empresa foi preparada para isso;
- temos alguém que possa ensinar as tarefas ao novo membro da equipe;
- ele vai depender dessa atividade para viver.
No geral as ponderações são as mesmas que usaríamos para definir uma necessidade de contratação, mas aqui temos uma oportunidade única de acertar na combinação de necessidade com oportunidade. Se tivermos o conhecimento prévio de que nem todas as etapas estão maduras é possível dar atenção para o que ficou a descoberto antes que isso apareça de forma impactante no dia a dia. Isso faz parte do planejamento geral de sucessão mesmo sem ser especifico com uma única função, mas estando atento ao todo que torna exitosa a empresa que planeja seus passos.
Empresa familiar: nem todos tem lugar na empresa
Esse é o maior drama de toda empresa familiar. Achar espaço, fazer um puxadinho para acomodar todos que são da família. Vou definir isso com uma palavra: ERRO! Um grande ERRO. Um imenso ERRO. Um gigantesco ERRO.
Nenhum negócio é tão familiar ao ponto de caber toda a família, por mais honesta, dedicada, amistosa e carinhosa. Uma empresa precisa de capacidade, conhecimento, compromisso e desempenho antes de qualquer outra coisa.
A situação mais desgastante que um empreendimento familiar passa é no momento em que deve demitir um membro da família que tenha funções na empresa, pois essa é uma situação que pode demorar meses e, em alguns casos, até anos. O desgaste é por vários motivos sendo o principal o acumulo de tarefas que causa nos demais membros da equipe que sempre se veem na situação de cobrir as falhas do incompetente.
O membro da família que tenha funções na empresa tem duplo compromisso. O primeiro é ser um exemplo de retidão, dedicação e comprometimento independente da função. O segundo é ser um ávido e contumaz consumidor de conhecimento, aperfeiçoamento e capacitação. Sem estas duas simples premissas o ambiente que esse membro criará na companhia não será saudável para o empreendimento e nem para o grupo familiar.
Além das premissas anteriores o membro família que tem funções ou cargo na empresa deve sempre estar em equilíbrio com o que mercado oferece. A baliza de ganhos e benefícios por função é o que o mercado oferece para os casos similares. Não é a circunstância de membro da família que define seus ganhos pelo trabalho, isso é definido pela sua posição no grupo de controle e sua parte na distribuição dos resultados.
Ao grupo de controle cabe equalizar se a função é desempenhada dentro dos padrões esperados pelo membro da família. Não se deve cobrar em demasia ou tolerar que seja entregue menos do que esperado, pois a companhia depende de cada peça na sua melhor performance para obter o resultado esperado que, sem dúvida alguma, é o crescimento do negócio e o lucro.
Nenhum negócio é tão familiar ao ponto de caber toda a família, por mais honesta, dedicada, amistosa e carinhosa. Uma empresa precisa de capacidade, conhecimento, compromisso e desempenho antes de qualquer outra coisa.
A situação mais desgastante que um empreendimento familiar passa é no momento em que deve demitir um membro da família que tenha funções na empresa, pois essa é uma situação que pode demorar meses e, em alguns casos, até anos. O desgaste é por vários motivos sendo o principal o acumulo de tarefas que causa nos demais membros da equipe que sempre se veem na situação de cobrir as falhas do incompetente.
O membro da família que tenha funções na empresa tem duplo compromisso. O primeiro é ser um exemplo de retidão, dedicação e comprometimento independente da função. O segundo é ser um ávido e contumaz consumidor de conhecimento, aperfeiçoamento e capacitação. Sem estas duas simples premissas o ambiente que esse membro criará na companhia não será saudável para o empreendimento e nem para o grupo familiar.
Além das premissas anteriores o membro família que tem funções ou cargo na empresa deve sempre estar em equilíbrio com o que mercado oferece. A baliza de ganhos e benefícios por função é o que o mercado oferece para os casos similares. Não é a circunstância de membro da família que define seus ganhos pelo trabalho, isso é definido pela sua posição no grupo de controle e sua parte na distribuição dos resultados.
Ao grupo de controle cabe equalizar se a função é desempenhada dentro dos padrões esperados pelo membro da família. Não se deve cobrar em demasia ou tolerar que seja entregue menos do que esperado, pois a companhia depende de cada peça na sua melhor performance para obter o resultado esperado que, sem dúvida alguma, é o crescimento do negócio e o lucro.
Empresa familiar: regras para o grupo de controle
Vou definir o que para mim é o grupo de controle da empresa familiar: são todas as pessoas que fazem parte dos debates e decisões estratégicas e organizacionais dos negócios. Esse grupo de controle deve reunir todos os integrantes da família, mas limitado a um participante por cada subgrupo. O subgrupo nada mais é do que a ramificação dos descendentes em novas unidades familiares.
A esfera de poder dentro do grupo de controle deve ser estruturada de forma a concretizar uma decisão sempre que necessária, isto é, tudo que gerar divergência deverá ter condições de ser debatida e votada gerando um resultado que seja aceito e acatado por todos. É extremamente importante para a condução do negócio que após a votação o resultado seja definitivo.
A definição dos papéis no grupo de controle é uma equação relevante e com dinâmica própria para cada núcleo familiar. As características de cada indivíduo participante do grupo ou subgrupo é que definirão o seu papel e o seu peso nas posições de debate e na própria votação das divergências. Não existe uma receita pronta que seja universal e aplicável.
Mesmos nas situações em que a família em si seja um grupo pequeno é de suma importância que seja organizado a forma de funcionamento do grupo de controle, pois em algum momento isso será necessário para solucionar um conflito entre partes que terão suas posições e razões bem claras. Isto fica mais evidente quando surge a criação do primeiro subgrupo.
A formação do grupo de controle trata das questões importantes para o empreendimento, tais como: participação ou não dos integrantes da família na empresa; distribuição de resultados; escolha dos conselheiros externos; investimentos; ampliação dos negócios; encerramento dos negócios; entre outros temas próprios a cada necessidade ou oportunidade.
A esfera de poder dentro do grupo de controle deve ser estruturada de forma a concretizar uma decisão sempre que necessária, isto é, tudo que gerar divergência deverá ter condições de ser debatida e votada gerando um resultado que seja aceito e acatado por todos. É extremamente importante para a condução do negócio que após a votação o resultado seja definitivo.
A definição dos papéis no grupo de controle é uma equação relevante e com dinâmica própria para cada núcleo familiar. As características de cada indivíduo participante do grupo ou subgrupo é que definirão o seu papel e o seu peso nas posições de debate e na própria votação das divergências. Não existe uma receita pronta que seja universal e aplicável.
Mesmos nas situações em que a família em si seja um grupo pequeno é de suma importância que seja organizado a forma de funcionamento do grupo de controle, pois em algum momento isso será necessário para solucionar um conflito entre partes que terão suas posições e razões bem claras. Isto fica mais evidente quando surge a criação do primeiro subgrupo.
A formação do grupo de controle trata das questões importantes para o empreendimento, tais como: participação ou não dos integrantes da família na empresa; distribuição de resultados; escolha dos conselheiros externos; investimentos; ampliação dos negócios; encerramento dos negócios; entre outros temas próprios a cada necessidade ou oportunidade.
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Empresa familiar: sucessão quando, como e por quê?
Chegamos ao momento mais delicado e perigoso de qualquer empresa familiar: a sucessão. A palavra sucessão encaminha para uma disposição de continuidade e pressupõe que nada vai mudar. E aqui temos o ponto crucial do quando, como e por quê? Será possível alterar uma situação de comando e nada ser modificado? Não, não é possível. E isso, de alguma forma, define o quando e o como e encaminha o porquê.
Vou retomar a situação '3' da postagem anterior, pois vai ajudar a explicar a maior questão desse tema. Quanto aos sucessores adultos que participaram desde a origem do empreendimento familiar até sua consolidação, a pergunta é: como fazer, como escolher e quando abrir o processo de sucessão? Na abordagem dos adolescentes que tratei na situação '2' apontei para a questão emocional que afeta o envolvimento com o negócio. No caso dos adultos que viveram desde o começo o empreendimento familiar é possível afirmar que a situação emocional pode ser ainda mais presente, com possibilidade de tomar contornos dramáticos conforme o tempo evolui.
A característica de preparação de um sucessor na empresa familiar normalmente envolve a expectativa de criar uma espécie de clone. Alguém que por ter a hereditariedade sanguínea manteria os predicados do seu original, bastando para tanto ser submetido a vivência cotidiana com o seu modelo. Isso acontece na prática, mas invariavelmente sem obter os resultados esperados pelo total desprezo da situação emocional. Essa tentativa de clonar o modelo de sucesso é com absoluta certeza totalmente errada e deve ser evitada a todo custo.
Uma outra certeza é que a possibilidade de existir um sucessor com condições plenas de encarar o desafio no ambiente familiar é mínima. Essa situação sempre é tentada e quase sempre precede o mesmo tipo de resultado negativo para os negócios ou para a família ou para ambos.
O caminho que pode ser seguido para atender ao anseio da sucessão dentro do núcleo familiar mais íntimo é a preparação da família de forma prévia. A provável mudança de comando precisa ser precedida por uma reorganização no âmbito das responsabilidades, por um reposicionamento no controle que reflita o redimensionamento do próprio poder no grupo familiar. A sucessão então estará ocorrendo em coerência com o mapeamento de poder fortalecido que permitiu o ambiente de prosperidade para todo o grupo familiar. Nessa fase é imprescindível que um conselheiro ou mediador esteja envolvido e participando das questões práticas a serem debatidas e definidas.
Na condução direta do negócio essa transição poderá ser levada a execução assim que o ambiente familiar esteja pronto e, sempre que possível, seria saudável que essa transição fosse efetivada com a utilização de um agente externo temporário que poderia desempenhar a função durante a passagem de comando. Na falta de condições para a inserção de uma pessoa exclusiva na condução do negócio é imprescindível que o conselheiro ou mediador permaneça para dissolver imediatamente as zonas de conflito e zelar para que aquilo que foi definido no grupo familiar seja efetivamente implementado.
A sucessão deve passar a ser tema de planejamento dentro do grupo familiar assim que ficar definido de forma clara que o empreendimento, o negócio, a empresa será a base de sustentação para esse grupo familiar. Porque é isso que define de qual maneira que o núcleo familiar estará sujeito as variações financeiras que resultam dos acertos e erros na condução de qualquer negócio.
Vou retomar a situação '3' da postagem anterior, pois vai ajudar a explicar a maior questão desse tema. Quanto aos sucessores adultos que participaram desde a origem do empreendimento familiar até sua consolidação, a pergunta é: como fazer, como escolher e quando abrir o processo de sucessão? Na abordagem dos adolescentes que tratei na situação '2' apontei para a questão emocional que afeta o envolvimento com o negócio. No caso dos adultos que viveram desde o começo o empreendimento familiar é possível afirmar que a situação emocional pode ser ainda mais presente, com possibilidade de tomar contornos dramáticos conforme o tempo evolui.
A característica de preparação de um sucessor na empresa familiar normalmente envolve a expectativa de criar uma espécie de clone. Alguém que por ter a hereditariedade sanguínea manteria os predicados do seu original, bastando para tanto ser submetido a vivência cotidiana com o seu modelo. Isso acontece na prática, mas invariavelmente sem obter os resultados esperados pelo total desprezo da situação emocional. Essa tentativa de clonar o modelo de sucesso é com absoluta certeza totalmente errada e deve ser evitada a todo custo.
Uma outra certeza é que a possibilidade de existir um sucessor com condições plenas de encarar o desafio no ambiente familiar é mínima. Essa situação sempre é tentada e quase sempre precede o mesmo tipo de resultado negativo para os negócios ou para a família ou para ambos.
O caminho que pode ser seguido para atender ao anseio da sucessão dentro do núcleo familiar mais íntimo é a preparação da família de forma prévia. A provável mudança de comando precisa ser precedida por uma reorganização no âmbito das responsabilidades, por um reposicionamento no controle que reflita o redimensionamento do próprio poder no grupo familiar. A sucessão então estará ocorrendo em coerência com o mapeamento de poder fortalecido que permitiu o ambiente de prosperidade para todo o grupo familiar. Nessa fase é imprescindível que um conselheiro ou mediador esteja envolvido e participando das questões práticas a serem debatidas e definidas.
Na condução direta do negócio essa transição poderá ser levada a execução assim que o ambiente familiar esteja pronto e, sempre que possível, seria saudável que essa transição fosse efetivada com a utilização de um agente externo temporário que poderia desempenhar a função durante a passagem de comando. Na falta de condições para a inserção de uma pessoa exclusiva na condução do negócio é imprescindível que o conselheiro ou mediador permaneça para dissolver imediatamente as zonas de conflito e zelar para que aquilo que foi definido no grupo familiar seja efetivamente implementado.
A sucessão deve passar a ser tema de planejamento dentro do grupo familiar assim que ficar definido de forma clara que o empreendimento, o negócio, a empresa será a base de sustentação para esse grupo familiar. Porque é isso que define de qual maneira que o núcleo familiar estará sujeito as variações financeiras que resultam dos acertos e erros na condução de qualquer negócio.
Assinar:
Postagens (Atom)